quinta-feira, 18 de junho de 2009

O POETA

Era uma noite: — eu dormia...

E nos meus sonhos revia

As ilusões que sonhei!

E no meu lado senti...

Meu Deus! por que não morri?

Por que no sono acordei?

No meu leito adormecida,

Palpitante e abatida,

A amante de meu amor,

Os cabelos recendendo

Nas minhas faces correndo,

Como o luar numa flor!

Senti-lhe o colo cheiroso

Arquejando sequioso

E nos lábios, que entreabria

Lânguida respiração,

Um sonho do coração

Que suspirando morria!

Não era um sonho mentido:

Meu coração iludido

O sentiu e não sonhou...

E sentiu que se perdia

Numa dor que não sabia...

Nem ao menos a beijou!

Soluçou o peito ardente,

Sentiu que a alma demente

Lhe desmaiava a tremer,

Embriagou-se de enleio,

No sono daquele seio

Pensou que ele ia morrer!

Que divino pensamento,

Que vida num só momento

Dentro do peito sentiu...

Não sei!... Dorme no passado

Meu pobre sonho doirado...

Esperança que mentiu...

Sabem as noites do céu

E as luas brancas sem véu

Os prantos que derramei!

Contem do vale as florinhas

Esse amor das noite minhas!

Elas sim... que eu não direi!

E se eu tremendo, senhora,

Viesse pálido agora

Lembrar-vos o sonho meu,

Com a fronte descorada

E com a voz sufocada

Dizer-vos baixo: — Sou eu!

Sou eu! que não esqueci

A noite que não dormi,

Que não foi uma ilusão!

Sou eu que sinto morrer

A esperança de viver...

Que o sinto no coração!

Riríeis das esperanças,

Das minhas loucas lembranças,

Que me desmaiam assim?

Ou então, de noite, a medo

Choraríeis em segredo

Uma lágrima por mim!

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