sexta-feira, 22 de maio de 2009




Odio, Furia, visão sem pena da vida turva
ambiente fechado
visão sangrenta
tranquilidade só longe
vidente poderoso
cérebro amaldiçoador

Pedaços de coração
por dentro de todo seu corpo
sentimentos demonstrados
só pelos olhos
só pela fala
vivendo a decepção de um sonho

Daquele jeito quanto tão sonhado
daquele olhar
profundo e triste

É tudo perdido
É tudo besteira
É tudo hipocrisia
Porque são iguais a nós...


(Inara)

terça-feira, 19 de maio de 2009

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quarta-feira, 13 de maio de 2009

SONETO



N'augusta solidão dos cemitérios,

Resvalando nas sombras dos ciprestes,

Passam meus sonhos sepultados nestes

Brancos sepulcros, pálidos, funéreos.


São minhas crenças divinais, ardentes

- Alvos fantasmas pelos merencórios

Túmulos tristes, soturnais, silentes,

Hoje rolando nos umbrais marmóreos,


Quando da vida, no eternal soluço,

Eu choro e gemo e triste me debruço

Na laje fria dos meus sonhos pulcros,

Desliza então a lúgubre coorte.


E rompe a orquestra sepulcral da morte,

Quebrando a paz suprema dos sepulcros.

(Augusto dos Anjos)

MÁGOAS


Quando nasci, num mês de tantas flores,

Todas murcharam, tristes, langorosas,

Tristes fanaram redolentes rosas,

Morreram todas, todas sem olores.


Mais tarde da existência nos verdores

Da infância nunca tive as venturosas

Alegrias que passam bonançosas,

Oh! Minha infância nunca tive flores!


Volvendo ã quadra azul da mocidade,

Minh'alma levo aflita à Eternidade,

Quando a morte matar meus dissabores.


Cansado de chorar pelas estradas,

Exausto de pisar mágoas pisadas,

Hoje eu carrego a cruz de minhas dores!

(Augusto dos Anjos)

domingo, 3 de maio de 2009

Penumbra




Transpiro saudade pelos ossos

A face pálida, por vezes rubra

Denuncia a penumbra

E o sofrimento nos meus olhos


Por que não cala-te

E adormece nesse peito?

Ó! Espectro de luz...

Carrasco do meu silêncio


Leva! Afasta de mim

Os vestígios dessa lembrança

De quem chora pela ausência

E teme pela distância


Porque minha alma

Não suporta tanta angústia

Porque meu lamento

Aos teus ouvidos é música


E aqui nesse claustro

Prisioneiro de mim mesmo

Me desfaço com o medo

Enlouqueço... Adormeço...


Por que tu és fogo que não arde

És paisagem fria e morta

És saudade que me invade

Destrói... Devora...


Não lembro quantos sorrisos

Cabiam em meu rosto

Tanto ardor! E quanto desejo!

Mas tu levaste todos...


Se Deus soubesse

Da minha existência

Não iria permitir

Tuas ofensas...


Por que me torturas

E não me condena?

Por que não me abandona

E me deixa morrer de tristeza?


Meu corpo é meu templo

É o resto em ruínas

É esquife do espírito

Que renuncia à vida...


Tu és a voz profana

Que ecoa em meus ouvidos

É a noite, é meu drama

Meu ritual de suicídio


Transpiro saudade pelos ossos

A face pálida, por vezes rubra

Denuncia a penumbra

E o sofrimento nos meus olhos...


(Rodrigo Q.)

rodrigo@spectrumgothic.com.br



Damas de Preto


Damas de beleza exótica
De poder sedutor
De corações torturados
Por antigos amores

Tenebrosas e perigosas
Lá vem elas
Parecem nuvens negras
Flutuando no ar

Damas de preto
Como se vivessem
Em luto eterno

Damas da escuridão
Elas não perdoarão
Dominarão seu coração
Alinhar à direita
Para sempre......

(Lady Wilma)

sábado, 2 de maio de 2009

Cantiga sua partindo-se




Senhora, partem tão tristes
meus olhos por vós, meu bem,
que nunca tão tristes vistes,
outros nenhuns por ninguém.

Tão tristes, tão saudosos,
tão doentes da partida,
tão cansados, tão chorosos,
da morte mais desejosos
cem mil vezes que da vida.
Partem tão tristes os tristes,
tão fora d'esperar bem,
que nunca tão tristes vistes

outros nenhuns por ninguém.

(João Ruiz Castelo Branco)