domingo, 26 de abril de 2009

Poema - Um Anjo


UM ANJO - .(outubro 1855)

FOSTE A ROSA desfolhada Na urna da eternidade Pr’a sorrir mais animada, Mais bela, mais perfumada Lá na etérea imensidade.

Rasgaste o manto da vida, E anjo subiste ao céu Como a flor enlanguecida
Que o vento pô-la caída E pouco a pouco morreu!

Tu’alma foi um perfume Erguido ao sólio divino; Levada ao celeste cume C’os Anjos oraste ao Nume Nas harmonias dum hino.

Alheia ao mundo devasso, Passaste a vida sorrindo; Derribou-te, ó ave, um braço, Mas abrindo asas no espaço Ao céu voaste, anjo lindo.

Esse invólucro mundano Trocaste por outro véu; Deste negro pego insano Não sofreste o menor dano Que tu’alma era do Céu.

Foste a rosa desfolhada Na urna da eternidade Pr’a sorrir mais animada Mais bela, mais perfumada Lá na etérea imensidade.

(Machado de Assis)

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